O primeiro finalista do Campeonato Paulista saiu do embate entre a Associação Atlética Guarulhos e o Quaker Jundiaí. As meninas de Guarulhos não bobearam e eliminaram as favoritas jundiaienses por 3 jogos a 1. O primeiro jogo foi em Guarulhos (94 a 92 para as meninas da casa). Os dois próximos em Jundiaí: 89 a 93 e 94 a 73. A série foi fechada em guarulhos, na quarta partida, com a vitória por 95 a 94.

A equipe de Guarulhos é, realmente, surpreendente. O time voltou a disputar o Campeonato Paulista apenas em 1999 e já fez história. Montou uma equipe modesta, apostando nos talentos locias (como Sandrinha) e em jogadoras renegadas por outras equipes: Geisa e Micaela (BCN), Patrícia (Uniban), Casé e Ana Motta (Arcor). O time ficou com a quinta posição, mas chegou a derrotar o BCN, com Magic Paula & Cia. Por essa campanha, chegou a Liga Nacional, onde, novamente surpreendendo, chegou às semifinais, sendo eliminado por 3 x 1, pelo campeão Paraná.

Para o atual torneio, perdeu muitas atletas e se recompôs apostando, mais uma vez, em atletas desenganadas por outras equipes: Roseli (BCN) e Aide (Quaker) e investiu na contratação de um estrangeira excepcional: a armadora croata Korie Hlede. Deu no que deu. O time está longe de ser completo, o elenco é limitado, as pivôs são inexperientes, mas o time joga com vontade, determinação e é aplicada taticamente. Jogando assim, o time superou uma equipe com maiores valores individuais, mas de jogo coletivo fraquíssimo.

Nas semifinais, foram dois os maiores nomes de Guaru: Korie e Roseli. Não vou mais elogiar Korie aqui, ela é um colosso: 28 ppg nesta fase. Roseli merece muitos aplausos, jogando como ala-pivô, tem partido, sem medo, para a decisão: 20 ppg. O volume de jogo de Sandrinha caiu nesta fase, mas ela se mantém, ao lado de Aide, como peças importantes do time. Média de 11 ppg para a primeira e de 15 ppg para a segunda. Descansem, meninas, e voltem com tudo na final. Nos pivôs, o panorama de Guaru é delicadíssimo, o técnico Alexandre Cato (Parabéns para ele também!) reveza Casé e Maria Cristina na posição 5. No ataque, a produção de ambas, é minguada: 4,5 ppg para Casé e 7,75 ppg para Maria, mas elas lutam com o time e conseguiram uma façanha nesta fase: Guaru, com baixinhas, pegou mais rebotes que o Quaker, que tem Karina, Zaine, Rosângela no garrafão.

O Quaker/Jundiaí empacou nestas semifinais. Se no ano passado, o time veio mal no Nacional; neste ano, as coisas degringolaram quando o time parecia crescer. É lógico que as contusões de Marta e Deise contribuíram para esse mau resultado, mas não foi só isso. O problema maior é o estilo de jogo: extremamente burocrático, centralizadíssimo na pivô Karina ou então na Adriana. Das jogadas tentadas, grande parte consiste nos lances de 2 para Karina ou, então, lances de 3 para Adrianinha e Adriana. Acaba ficando repetitivo e previsível. As outras jogadoras ainda não parecem fazer parte do grupo, muito discretas e satisfeitas na sua mísera condição de figurantes.

Os números apenas comprovam isso. Nas semifinais, Karina teve uma média de 30,25 ppg. Depois vem Adriana, com 24,25 ppg. Adrianinha, em crescimento, manteve a média de 17 ppg. O talento e a juventude desta moça pedem um acompanhamento constante e próximo, pois, muitas vezes, ela parece confundir armação com correria. O restante ainda não mostrou a que veio: Rosângela, que sempre parece que vai, mas acaba ficando, empacou nos 7,5 ppg; Luciana está tendo uma bela oportunidade e pode mostrar mais que os 8,5 ppg desta fase; e, por último, Zaine está uma discrição só em quadra: 2,2 ppg. Talento essas três têm, mas precisam mostrá-lo na prática, pois as outras três andorinhas solitárias não fazem verão.

A outra semifinal, entre Arcor – Santo André e Unimed/Ourinhos, também foi surpreendente e decidida em cinco jogos. Os clubes venceram fora de casa nesta semifinal e, como Santo André tinha a vantagem de jogar três jogos em casa, acabou sendo despachado por Ourinhos. O primeiro jogo em Ourinhos terminou em 75 a 71 para Santo André. Parecia que o Arcor fecharia a série em 3 a 0 em casa, mas perdeu os dois jogos seguintes: 75 a 73 e 93 a 92. Ourinhos perdeu a chance de fechar a série em casa, ao perder de 83 a 80, mas foi com sede de vitória para a Santo André e marcou 87 a 82, tornando-se o segundo finalista do torneio.

Essa passagem de Ourinhos à final, além de surpreendente, é uma prova do trabalho competente desenvolvido pelo técnico Édson Ferreto. O treinador está sempre com elencos modestos, mas pronto a beliscar uma boa colocação. Nesse ano, os adversários foram muitos e o time chegou às semifinais com o elenco reduzido a 8 atletas, mas mesmo assim foi um time mais completo. O time não conta com nenhuma atleta-fora-de-série, mas faz um jogo equilibrado, forte, aplicado na defesa e no qual cada uma cumpre sua função.

Foi isso que Ourinhos mostrou nesta série: superação. Não se pode falar num destaque maior neste time; o destaque é o grupo. A maior pontuadora nesta fase foi a jovem Paty, com 17,8 ppg. Paty também já carimbou seu passaporte para a seleção, só falta Barbosa assinar embaixo. Em seguida, vem a americana Jacque, precisa nos garrafões, com 14 ppg. Ao seu lado Lígia chega com 13 ppg. Na reserva, surgem ainda Ega (6,6 ppg) e Simone Pontello (2,6 ppg). Essas quatro pivôs devem dar muito trabalho a Guaru na fase final. Outro grande destaque é Roberta, com 11,4 ppg. Salve, salve ! A experiente Rose não fez uma série tão exuberante, mas ajudou com 8,6 ppg. Desfalcado da armadora titular, o time surge com Gattei, com 6,8 ppg.

O Arcor foi o melhor time da fase de classificação e talvez chegasse às finais, se não tivesse encontrado justamente com Ourinhos. O jogo da equipe de Santo André não se encaixa tão bem com Ourinhos, por motivos que eu desconheço. Talvez por Ourinhos contar com várias ex-jogadoras da equipe de Santo André (Pontello, Gattei, Rose).

A verdade é que Santo André teria mais facilidade com outro oponente, já que as suas únicas derrotas na fase inicial forma para Ourinhos.

O time vinha jogando bem, mas sofreu uma mudança radical desde a última temporada e conta com jogadoras pouco acostumadas à decisão. Outro duro golpe foi a contusão de Cristina, que vinha fazendo um excelente campeonato. O trabalho de Santo André e de Laís, mesmo com essa derrota, sai fortalecido do Paulista.

Falta maior regularidade ao jogo das meninas de Santo André. Depois da contusão de Cris, Albena virou a maior responsável pela produção ofensiva do time. Nesta série, não foi diferente e a pivô búlgara marcou, em média, 22,6 ppg. A seguir vem Vívian, com 15 ppg, uma bela jogadora que merece ser burilada ao longo do tempo. As veteranas Patrícia e Maristela contribuíram com 11,6 e 9,2 ppg respectivamente. Depois de uma primeira fase apagada, Lílian auxiliou o time com suas bolas de três, somando 10,4 ppg nesta fase. A ala Chuca alterna partidas excelentes com outras medíocres, somando 9 ppg. O jogo da armadora Gigi ainda é insípido e, apesar do talento, necessita de uma pimentinha para passar dos 4,8 ppg.